Operários que fazem reparos na Vila Olímpica não passaram por pente-fino contra terrorismo

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Quando o tempo era escasso, a segurança ficou em segundo plano. Operários que foram chamados às pressas pelo Comitê Rio-2016 para fazer reparos na Vila Olímpica após reclamações de várias delegações estrangeiras não passaram pela checagem realizada pelo Ministério da Justiça em todas as credenciais que dão acesso às instalações olímpicas. O principal objetivo da varredura de antecedentes criminais é evitar que pessoas ligadas a organizações terroristas ou ao crime organizado tenham acesso às instalações. Ao EXTRA, o Comitê Rio-2016 admitiu que “um grupo de funcionários não foi checado, mas trabalha sempre sob supervisão”.

Operários e um sócio de uma das construtoras que realizam os serviços de reparo das redes elétrica e hidráulica confirmaram que dados sobre os funcionários contratados não foram repassado à organização dos Jogos antes de sexta-feira, quando os operários começaram a chegar à Vila.

— No sábado, o comitê entrou em contato para comunicar que precisava de funcionários. No mesmo instante, começamos a recrutar nossos operários e quem podia foi para lá com a identidade. Em duas horas, eles já estavam lá dentro trabalhando. Ainda nem enviamos a lista com os nomes de todos — diz Edson Dalho, sócio da Qualieng.

Para o professor Newton de Oliveira, que participou da elaboração do planejamento de segurança do Pan de 2007, a falta da checagem é uma falha na segurança dos Jogos.

— O ambiente dos atletas devia ser vedado a estranhos. A falta de checagem é um descuido grande que mostra a falta de planejamento na segurança da Olimpíada — disse.

Chamados às pressas, operários entram com bolsas
Chamados às pressas, operários entram com bolsas Foto: Daniel Marenco / Agencia O Globo / evara

A checagem de antecedentes é obrigatória para quem deseja se credenciar. Para jornalistas, por exemplo, informações como identidade e CPF foram enviadas ao comitê até 15 de janeiro. Caso o ministério suspeite de algum pedido, o comitê é notificado.

Credencial a caneta vale por cinco dias

Operários da Qualieng que chegaram na manhã de sábado no portão de acesso da força de trabalho à Vila conseguiram entrar no local apenas com sua carteira de identidade. A credencial desses trabalhadores é diferente das demais: tem a cor azul e é preenchida à caneta, com o nome do trabalhador, o nome da empresa para a qual ele presta serviço e o tempo de validade. O EXTRA conversou com dez operários no local. A credencial de todos tem a validade de cinco dias e expira amanhã. Desde o último fim de semana, 630 operários fazem reparos na Vila que é patrulhada pela Força Nacional.

— Temos livre acesso a todas as áreas do condomínio. Ontem mesmo, passei nos prédios da Austrália, Argentina e Alemanha para fazer reparos na rede elétrica de alguns apartamentos e da garagem — conta um operário da Masan, empresa que forneceu cerca de 200 funcionários para reparos no local. Em nota, a Masan alegou “que todos os procedimentos de segurança estão sendo cumpridos integralmente”.

No total, cerca de 460 mil pedidos de credenciamento passaram pelo pente-fino. O ministério recomendou que o comitê negasse credenciais a 11 mil pessoas. Mas é da organização dos Jogos a palavra final sobre o credenciamento. Procurada, a Secretaria Extraordinária para a Segurança de Grandes Eventos (Sesge), do Ministério da Justiça, afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não vai se pronunciar sobre o assunto.


Fonte: EXTRA
Agencia O Globo / Daniel Marenco

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