Família diz que comprou maca para paciente não ficar no chão de hospital

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Maca de R$ 1,7 mil teria sido comprada por falta de leitos no HE em Macapá.
Paciente de 38 anos morreu por infecção generalizada após 10 dias internado.

Quase um mês após a morte do funcionário público Abraão Gomes dos Santos, de 38 anos, no Hospital de Emergências (HE) de Macapá, a família fala em negligência médica e diz que precisou comprar uma maca para que o paciente não ficasse no chão durante a internação na unidade de saúde.

Abraão Gomes dos Santos 38 anos, maca, morte, HE, Amapá (Foto: Tâmela Santos/Arquivo Pessoal)Abraão Gomes dos Santos morreu no HE em
Macapá (Foto: Tâmella Santos/Arquivo Pessoal)

Parentes da vítima contam que Abraão teve um súbito agravamento no estado de saúde e morreu no dia 15 de julho. Ele foi internado com fratura exposta na perna direita após um acidente fluvial na cidade de Oiapoque, a 590 quilômetros de Macapá, mas teria morrido por infecção hospitalar. A família acredita que o principal agravante foi a falta de equipamentos e de atendimento no HE.

A fisioterapeuta Tâmella Santos, de 26 anos, acompanhou os dias de sofrimento do tio e considera “inadmissível” ele ter entrado com uma fratura e ter morrido no hospital.

“Ele não ia ficar no chão e nem em cima de papelão. Conseguimos tirar no cartão de uma amiga essa maca e estamos pagando em cinco vezes. A gente dava um jeito de comprar as coisas, sabemos do nosso direito, mas não podíamos esperar e correr riscos. A cirurgia não foi feita no dia em que ele entrou no HE porque não tinha médico, nem anestesista”, lamenta.

Fisioterapeuta Tâmela Santos, de 26 anos, morte, paciente, HE, maca, Amapá (Foto: Tâmela Santos/Arquivo Pessoal)Fisioterapeuta Tâmela Santos, de 26 anos
(Foto: Tâmella Santos/Arquivo Pessoal)

Ela reclama também da demora em procedimentos simples como curativos, que eram trocados só após 24 horas, além da cirurgia, que foi realizada após quatro dias, conforme falou.

O Hospital de Emergências confirmou a compra e entrada da maca na unidade e informou que o caso não cabe reembolso financeiro porque a família levou a maca de volta para casa após a morte do paciente. Segundo a direção, o equipamento foi autorizado para uso após uma inspeção completa do HE e que a decisão de comprar o equipamento teria partido da família.

Entre os problemas listados no hospital, Tâmela também diz que por várias vezes Abraão reclamava que era “abandonado” na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela relata que a família adquriu medicamentos que estavam em falta no hospital, mas alguns não chegaram a ser usados.

Criança foi levada para o Hospital de Emergências (HE) de Macapá (Foto: Dyepeson Martins/G1)Paciente foi internado no Hospital de Emergências
de Macapá (Foto: Dyepeson Martins/Arquivo G1)

Sobre o atendimento, o hospital informou que prestou a assistência para o paciente e que a cirurgia aconteceu após disponbilidade de vaga.

A sobrinha conta que todos ficaram abalados com a morte, incluindo os dois filhos menores de idade de Abraão, e que a família pretende entrar na Justiça cobrando reparação.

“Estamos em contato com advogado. Sabemos que não vai trazer a vida dele, mas não podemos deixar isso assim. Ele tinha dois filhos crianças”, contou Tâmella.

Abraão tinha família no Amapá, mas era morador da cidade de Bonito, no Pará. Ele estava de férias em Oiapoque e foi até uma área de garimpo para trabalhar e ganhar um dinheiro extra. No retorno, durante a madrugada, a pequena embarcação em que navegava se chocou com outro barco e ele foi arremessado ao rio, onde permaneceu por algumas horas até ser resgatado e trazido de avião para Macapá.

Fonte: G1

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